quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Tudo O Que Temos, De Quem É?

"Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e
todas estas coisas vos serão acrescentadas"
(Mateus 6:33).

Houve um momento dramático, na história do mundo, quando o
General Pershing colocou o Exército Americano sob as ordens
do General Foch, que acabava de ter sido nomeado Chefe das
Forças Aliadas no campo. Uma frase que ele articulou naquele
tempo, embora não muito citada, é muito significativa:
"Infantaria, artilharia, aviação ... todas as coisas que
temos são suas. Disponham delas como desejarem".

Deus deseja ouvir de Seu povo uma consagração semelhante.
Ele tem sido tudo para nós -- nosso Senhor, nosso Salvador,
nosso Mestre, nosso Amigo verdadeiro, nosso Companheiro em
todas as jornadas, um tesouro que nos faz ricos e felizes.

E o que temos sido para Ele? O que temos lhe oferecido?
Alguma vez já dissemos que tudo que temos Lhe pertence? Já
lhe entregamos todos os nossos bens para que Ele use
conforme a Sua vontade?

É muito comum chegarmos diante do Senhor pedindo: "Senhor,
dá-me isso; Senhor, dá-me aquilo; Senhor, quero ser rico;
Senhor, quero prosperidade em abundância; Senhor..." Sempre
estamos querendo mais e nunca estamos satisfeitos com coisa
alguma.

Mas, não é esse o ensino de Jesus. O nosso desejo, mais e
mais, deve ser buscar a Sua presença e fazer a Sua vontade.
Tudo o mais é acrescentado conforme os planos divinos. Nem
tudo que pedimos nos torna felizes, mas, tudo o que Ele nos
dá nos enche o coração de regozijo e satisfação.

Entreguemos ao Senhor tudo o que temos, para que Ele
administre. Coloquemos à Sua disposição, especialmente, o
nosso coração. Dessa forma, viveremos de maneira abundante e
alcançaremos todas as vitórias almejadas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010


" BALANÇO ESPIRITUAL"


"Procura apresentar-te a Deus aprovado" (2 Timóteo 2:15).

"Nós devíamos fazer um balanço de nossas vidas todas as
noites: Que fraquezas eu dominei hoje? Que sentimentos de
ira repeli? Que tentações resisti? Que virtudes adquiri?"
(Marcus Annaeus Seneca)

Como tem sido a nossa vida diante de Deus? Temos
demonstrado, em nossas atitudes, que houve uma verdadeira
transformação desde que Cristo entrou em nossos corações?
Temos abandonado os desejos carnais e aplicado os ensinos do
Senhor na edificação de uma vida espiritual que glorifica o
nome de Jesus?

Quando deixamos a velha natureza mundana e começamos a
desfrutar as delícias de um novo viver, agora dirigido por
Deus, enfrentamos grandes provações. Às vezes nos sentimos
fracos na fé e precisamos lutar muito para repelir a força
que nos puxa de volta para o mundo que com regozijo
abandonamos.

Às vezes as tentações parecem nos subjugar e temos de buscar
forças para nos manter firmes no caminho de nosso Salvador.
Sabemos que a nossa luta não é fácil, mas, sabemos também
que podemos contar com a ajuda dAquele que perdoou os nossos
pecados, que nos trouxe da escuridão para a luz, da morte
espiritual para a vida abundante e eterna.

Somos muito felizes e abençoados por poder estar agora na
presença do Senhor. Ele nos fortalece e nos ajuda a dominar
o ódio e o egoísmo, o orgulho e a arrogância, as fraquezas
da carne e a insegurança. Nele resistimos as tentações e
somos mais que vencedores em toda e qualquer situação.

Quando Cristo é nosso Senhor e Mestre, aprendemos a amar ao
próximo, a colocá-lo em primeiro lugar, a espalhar, no
mundo, Sua luz e Seu perfume.

No seu balanço diário, o que tem prevalecido: defeitos ou
virtudes?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


A Bênção De Saber Esperar

"Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão
com asas como águias; correrão, e não se cansarão;
caminharão, e não se fatigarão"
(Isaías 40:31).

Uma mãe estava preparando panquecas para seus filhos:
Carlos, de 5 anos e Raul, de 4 anos. Os meninos começaram a
discutir sobre quem receberia a primeira panqueca. Sua mãe
viu a oportunidade para uma lição moral. "Se Jesus estivesse
sentado aqui, ele diria: Deixe meu irmão ter a primeira
panqueca. Eu posso esperar". Carlos voltou-se para seu irmão
mais novo e disse: "Raul, você é Jesus!"

Parece que a nossa historieta é coisa de crianças, mas,
muitas vezes, isso acontece também conosco, adultos,
cristãos. Queremos ter sempre a primazia, o primeiro lugar,
a preferência em tudo. Isso acontece em nossa casa, em nosso
trabalho, em nossa igreja. Não sabemos esperar e achamos que
todas as coisas giram ao nosso redor, como se mais nada
importasse, como se ninguém mais merecesse ou tivesse o
direito de receber aquilo que julgamos ser só nosso.

Queremos ser distinguidos em tudo e não nos conformamos
quando alguém ocupa o nosso lugar. E, às vezes, mesmo quando
recebemos a notoriedade que cremos merecer, ficamos
aborrecidos quando outros recebem a mesma distinção. Somos
cristãos vaidosos, egoístas, soberbos. Dizemos que Cristo
está em nossos corações, que Ele é amor, que somos Seus
discípulos, mas, não o imitamos em nada.

Os meninos da nossa ilustração não sabiam esperar. Nós,
quase sempre, também não sabemos esperar com paciência. Se o
que buscamos demora um pouco, somos tomados de angústia, de
desânimo, de pessimismo. Perdemos as forças, a fé, a
esperança.

Quando aprendemos a confiar no Senhor Jesus, cremos que a
nossa bênção virá, mesmo que demore um pouco. A nossa
esperança não desfalece, as nossas energias espirituais são
renovadas, a certeza da vitória jamais nos abandona. Ficamos
felizes com as conquistas pessoais e com as conquistas dos
irmãos e amigos. Se os nossos sonhos são realizados em
primeiro lugar, glorificamos a Deus. Se outros nos precedem,
glorificamos também. O que nos importa é que na hora do
Senhor a nossa bênção chegará.

terça-feira, 21 de setembro de 2010


Os Santos

"... aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com
todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor
Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" (1 Coríntios 1:2).

As Escrituras nos falam de "santos". Esta palavra é definida
de várias maneiras, mas, ao buscarmos seu significado no
Novo Testamento, entendemos que se refere a um pecador
morto, revisado e restaurado."

Quem são os santos? São homens e mulheres que se colocaram
diante do altar do Senhor, abriram os seus corações para
serem usados com poder e graça e dedicam suas vidas a fazer
a vontade de Deus.

O santo é uma "nova criatura", que abdicou dos prazeres
ilusórios do mundo e tem se dedicado a desfrutar da alegria
verdadeira na presença do Salvador Jesus Cristo.

E se o pecado não mais nos domina, caminhamos na certeza de
que Deus está à nossa frente, dirigindo nossos passos,
consolando-nos nas horas de angústia, sorrindo conosco nos
momentos de alegria, cumprimentando-nos por ocasião de
nossas conquistas.

O Senhor Jesus nos animou: "Sede santos". Devemos então ser
perfeitos? Não errar nunca? Ele sabe que somos humanos e
falhos, mas, espera que não tenhamos mais prazer no pecado e
que procuremos viver conforme Seus ensinos. Ele deseja que
não estejamos mais divididos -- uma hora em Sua presença e
outra longe dele, servindo a outro senhor. Ele nos preparou
um caminho de bênçãos, de vitórias, de grande felicidade.

Queremos ser santos. Queremos depender de Deus em todas as
circunstâncias. Queremos amá-lo acima de tudo e também aos
nossos irmãos, como Ele nos ensinou. Queremos falar com Ele
antes de sair para o trabalho, antes de ir para a faculdade,
antes de adquirir um patrimônio, antes de ir ao mercado para
as compras de nossa casa. Queremos dizer a Ele que
dependemos dEle e sem sua direção, nada sabemos fazer e nada
queremos fazer.

Sim, somos santos e o Senhor é o nosso Deus.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


Ceia do Senhor e o seu verdadeiro significado

“Por isso, meus amados irmãos, fujam da idolatria. Estou falando a pessoas sensatas; julguem vocês mesmos o que estou dizendo. Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é uma participação no sangue de Cristo, e que o pão que partimos é uma participação no corpo de Cristo? Por haver um único pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão. Considerem o povo de Israel: os que comem dos sacrifícios não participam do altar? Portanto, que estou querendo dizer? Será que o sacrifício oferecido a um ídolo é alguma coisa? Ou o ídolo é alguma coisa? Não! Quero dizer que o que os pagãos sacrificam é oferecido aos demônios e não a Deus, e não quero que vocês tenham comunhão com os demônios. Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Porventura provocaremos o ciúme do Senhor? Somos mais fortes do que ele?” 1 Coríntios 10.14-22

O erro dos coríntios quanto à Ceia

No capítulo 10 de 1 Coríntios, Paulo aponta o erro dos coríntios quanto ao verdadeiro significado do memorial da Ceia do Senhor. E o erro era duplo, consistia na supervalorização e no menosprezo à ceia ao mesmo tempo.

Eles supervalorizavam a ceia ao acreditar que pelo simples fato de participar dela, estariam livres dos males das idolatrias praticadas por eles mesmos. Como se ela os imunizassem dos efeitos nocivos dos pecados da idolatria. Pelo simples fato de comer aquela ceia eles estariam isentos de suas responsabilidades como cristãos perante aquela sociedade idólatra. Comiam muito, porque criam que isso lhes traria alguma segurança espiritual independente da conduta que tinham lá fora na sociedade.

Por outro lado, menosprezavam a ceia por não entender o seu verdadeiro sentido. Por não entender que ela aponta uma comunhão com o Senhor com base no seu sacrifício vicário.

A ceia não é apenas um memorial

Ela não é apenas uma oportunidade de lembramos o dia da morte do Senhor Jesus. Ela é mais do que isso, é uma oportunidade de renovarmos a comunhão com ele, de renovarmos e reafirmarmos nossas convicções e esperanças em sua palavra.

Quando menosprezamos a ceia ao vê-la apenas como um memorial, ou quando supervalorizamos ao achar que comendo o pão e bebendo o cálice, estaremos imunes dos nossos pecados, cometemos um grave erro.

A idolatria, o grande problema da cidade de Corinto - 1 Coríntios 10.7,14,19 e 28

(7) “Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.”

(14) “Por isso, meus amados irmãos, fujam da idolatria.”

(19) “Portanto, que estou querendo dizer? Será que o sacrifício oferecido a um ídolo é alguma coisa? Ou o ídolo é alguma coisa?”

(28) “Mas se alguém lhe disser: "Isto foi oferecido em sacrifício", não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência.”

I - O erro da Supervalorização

O primeiro grande erro daqueles primeiros cristãos foi supervalorizar o poder da Ceia, ao achar que pelo simples fato de participar dela, estariam imunes aos efeitos nocivos dos pecados da idolatria.

Paulo percebe esse erro e compara ao erro de Israel quando peregrinou no deserto. Observe o capítulo 10 do verso 1 ao 7.

“Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar. Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar. Todos comeram do mesmo alimento espiritual e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo. Contudo, Deus não se agradou da maioria deles; por isso os seus corpos ficaram espalhados (prostrados) no deserto. Essas coisas ocorreram como exemplos para nós, para que não cobicemos coisas más, como eles fizeram. Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.”

Assim como muitos em Israel criam que podiam se salvar pelo simples fato de ter sido batizado na “Nuvem” e no “Mar” (água), comendo do mesmo alimento espiritual, e bebendo todos da mesma bebida espiritual, e depois acabaram por perecer no deserto, sendo prostrados, espalhados, mortos e engolidos por aquelas terras. Assim também muitos irmãos da igreja em Corinto achavam que pelo fato de ser batizados nas águas, e comer e beber a Ceia do Senhor, estariam salvos, imunes de suas responsabilidades diante de uma sociedade pagã e idólatra.

O erro deles não é diferente do nosso

Os corintos estavam enganados quanto aos super poderes da Ceia do Senhor. Pensavam que podiam passar a semana inteira comendo comidas sacrificadas aos ídolos, praticando atos ilícitos, se unindo aos demônios e depois ao comer e beber da Ceia estariam perdoados, crendo que nenhum mal viria afetar suas vidas, e estariam com a salvação garantida.

“O fato de ser batizado na “nuvem” ou no “mar”, ou de ter bebido da rocha ou comido do maná, isso não garantiu salvação aos filhos de Israel.”

Da mesma maneira, o fato de sermos batizados nas águas, ou na nuvem da glória do Espírito Santo, ou ainda que tomemos parte do carne e do sangue de Jesus Cristo, representados no pão e no vinho, todavia isso não nos garante imunidade, não nos garante salvação.

Podemos vir aqui hoje, comer o pão e bebermos o cálice, mas se a nossa vida estiver associada aos demônios e aos seus sacrifícios lá fora, ficaremos prostrados neste deserto e não poderemos entrar em Canaã.

Beber o cálice, comer o pão não lhe garante perdão. A ceia não tem o poder de perdoar pecados. Ela não tem o poder de salvar. Como também não tem o poder de proteger a ninguém das conseqüências de seus atos pecaminosos.

Muitos comeram o maná e beberam da rocha, mas caíram no deserto, ficando prostrados para a perdição. Por isso, não façamos da Ceia do Senhor um ato de purificação. Não pensemos que ao comer e beber dela, Deus deixará de lado nossa vida mundana.

Não é a Ceia do Senhor que irá te salvar, mas uma vida comprometida com a santidade de Deus.

Nenhum de nós hoje aqui está seguro, nenhum de nós é salvo. Estamos salvos, e estar é diferente de “ser”. E só seremos salvos se não prostrarmos, se não cairmos da graça. Por isso a palavra alerta que pensa dessa forma:

“Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” 1 Coríntios 10.12

II - O erro de menosprezar a Ceia do Senhor

Se por um lado eles supervalorizavam a Ceia do Senhor, por outro eles menosprezavam.

O segundo erro deles foi menosprezar a Ceia por não entender o seu verdadeiro sentido. Por não entender que ela é a porta para aproximação e partilha da comunhão com o Senhor.

Que o ato de participar do corpo e do sangue, ao comer um fragmento de pão e ao beber um cálice de vinho, produz na igreja comunhão. Que este ato renova as forças do crente para lidar e vencer o pecado de idolatria em todas as suas formas.

A Ceia do Senhor não deve ser trocada por nada. Deve ser um dia sagrado na vida de todos nós. Porque nutre a fé e renovas as esperanças da Igreja quanto à volta de Cristo.

Quantos fazem descaso da Ceia? Marcam eventos, fazem festinhas, programam viagens, vão a casamentos. Alegando que vão participar no dia posterior, ou em outra ocasião oportuna. Na verdade, a questão do dia não é problema, pode ser qualquer dia e qualquer hora da semana. Mas a questão é que ela deve ser celebrada com toda a Igreja reunida, como diz o texto, esperando uns pelos outros, que aponta para a reunião onde todos possam estar juntos, ao mesmo tempo, celebrando a Deus pelo mesmo fim: a morte, ressurreição e a iminente volta de Cristo.

Quando você participa da celebração da Ceia, suas convicções no Senhor são renovadas, sua conduta diante da sociedade melhora, você se torna um cristão animado, esperançoso, sua visão se volta para Cristo e para suas promessas.

A Ceia do Senhor nos ajuda a fugir da idolatria, do pecado. Ela gera em nós, firmes convicções de santidade e temor.

“Por isso, meus amados irmãos, fujam da idolatria. Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é uma participação no sangue de Cristo, e que o pão que partimos é uma participação no corpo de Cristo?” 1 Coríntios 10.14,16

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


UM CONVITE À GRAÇA E À VERDADEIRA CIRCUNCISÃO!

Texto de Referência: Romanos 2.17-29
“Ora, você que leva o nome de judeu, apóia-se na lei e orgulha-se em Deus; se você conhece a vontade de Deus e aprova o que é superior, porque é instruído pela lei; se está convencido de que é guia de cegos, luz para os que estão em trevas, instrutor de insensatos, mestre de crianças, porque tem na lei a expressão do conhecimento e da verdade; então você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo? Você, que prega contra o furto, furta? Você, que diz que não se deve adulterar, adultera? Você, que detesta ídolos, rouba-lhes os templos? Você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei? Como está escrito: "O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês".
"A circuncisão tem valor se você obedece à lei; mas, se você desobedece à lei, a sua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se aqueles que não são circuncidados obedecem aos preceitos da lei, não serão eles considerados circuncidados? Aquele que não é circuncidado fisicamente, mas obedece à lei, condenará você que, tendo a lei escrita e a circuncisão, é transgressor da lei. Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita. Para estes o louvor não provém dos homens, mas de Deus.”

Um Convite à Graça
Um olhar panorâmico deste texto bíblico vai nos revelar um convite especial e generoso à graça de Deus. Ele faz um apelo, e não apenas uma exortação, até porque a circuncisão não era prática dos romanos, e sim dos judeus, que queriam introduzi-la à fé dos gentios (romanos). A mensagem de Paulo faz-nos um convite: “viver interiormente a Graça de Deus, circuncidados no coração, e não na letra, ou na aparência.” Convida-nos a viver além da superfície, mergulhados nas profundezas do amor e da graça de Deus, por meio daquele que é o Salvador de todos, Jesus Cristo, nosso Senhor. Ela nos convida a não viver pela “letra” que é a Lei. Porque por ela fomos repugnados e rejeitados diante de Deus. Pois, ela, ao invés de nos aproximar, acabou por nos distanciar de sua presença. Foi por causa da lei que o homem conheceu o pecado, então a lei, ou a letra mata. Todo aquele que é circuncidado pensa ser justificado pela lei, mas a circuncisão só tem efeito de fato, na vida daqueles que a obedecem plenamente. Como não há quem não tropece nela, seja judeu ou grego, ou quem quer que seja, então, a circuncisão pela lei jamais justificou alguém, nem mesmo Abraão, pois este, segundo a palavra (Romanos 4.3-16) foi justificado pela fé!

Se alegre pelo fato de não ser rejeitado por Deus apesar de ser fraco. Não deseje pecar, não deseje fracassar, não! Antes deseje acertar, a viver inteiramente para o Pai. Mas não pense que ele espera que você se torne perfeito para ser aceito diante dele. Não pense que o simples fato de existir em sua carne, uma lei chamada: lei do pecado (Rm 7.17,23), que te leva involuntariamente a pecar, o impossibilitará de estar diante do altar da graça de Deus. Esta lei é um espinho indesejável, e que apesar de você buscar prevalecer contra ela em oração ou pela palavra, sempre está a ceder. Quando você pensa que está forte e que não vai se render a esta lei, que opera na intimidade de suas entranhas, na verdade você percebe que está fraco e que ela já o fez praticar o pecado, mesmo involuntariamente. Pois o bem que deseja fazer, não consegue, mas o mal que não quer, isto o faz. “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” Romanos 7.14-25
Graças a Deus, que por meio de Jesus Cristo nos livra do corpo desta morte por sua graça. E como disse à Paulo, quando este o buscou em súplicas e orações intensas desejando se despojar daquele espinho (sinônimo de suas fraquezas constantes): a minha Graça te basta!- Paulo, eu sei que você tem esta fraqueza, mas aproveite a minha graça. Não vou tirá-la de você para que não se glorie, para que não se ache o tal, o super-crente. Quero você um Paulo humilde, dependente, fraco por causa da fraqueza de sua carne, todavia forte pela força da minha graça. - Na verdade, Paulo, quando você está fraco, então está forte! Porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Como é bom depender da Graça de Deus! Como é bom vivê-la e experimentá-la! Às vezes buscamos poder, mais poder, e queremos nos tornar tão fortes, tão santos, perfeitos. E acabamos por nos tornar pessoas rígidas, duras com as outras, exigentes, críticas, cheias de si, a ponto de julgar os outros. Mas na verdade, esta busca por “poder”, se caracteriza numa ausência de uma experiência real de dependência da graça de Deus. Pois só é possível ter uma vida de poder diante do Pai, quando de fato se tem uma experiência de dependência com a sua graça. Porque o poder do Espírito Santo virá como conseqüência dessa experiência. Pois a graça de Deus humilha o nosso eu, contudo exalta a nossa dependência e necessidade por Deus. Ela nos descobre, revelando nossa nudez e ao mesmo tempo nos veste com vestes de salvação. Ela lança por terra nossa vida de aparência, contudo, vivifica uma vida interior autêntica cheia das misericórdias e consolações de Deus.

A Circuncisão do Coração
A circuncisão foi instituída no antigo testamento como um concerto entre Deus e Abraão (Gn 17). Símbolo de uma aliança perpétua entre Deus e seu povo. Naquela ocasião, todos os descendentes de Abraão, inclusive ele, e seus servos foram instruídos a circundar-se. O ato da circuncisão se constituía na ruptura, ou na retirada de uma pele do órgão genital masculino, conhecida como prepúcio. Simbolizava a ruptura do judeu com o mundo, e sua exclusividade para Deus. Para nós cristãos, a circuncisão só tem algum valor quando esta ocorre no coração, e não na carne (exterior). Quando de fato deixamos de amar o mundo, e passamos a amar exclusivamente a Deus, pelo concerto da nova aliança no sangue de Cristo, seu filho. Esta é a verdadeira circuncisão.

As bênçãos provenientes da circuncisão do coração
Quando um cristão se volta inteiramente para Deus Pai de coração, sem reservas, quando ele se despoja de sua ardente paixão pelo mundo e pelos seus encantos, e passa a amá-lo com sinceridade, então inúmeras bênçãos são derramadas sobre ele. Para não ocupar demasiado espaço neste sermão, quero sintetizar essas bençãos, e talvez, em ocasião oportuna poderemos voltar a transcrevê-las de forma mais abrangente.

A benção da multiplicação
Deus disse à Abraão, quando este ainda era apenas Abrão. “Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência” Gn 17.2 Deus tem um compromisso com sua palavra, portanto quando um filho seu assume a responsabilidade e o comprometimento com sua aliança, consequentemente suas promessas passam a fazer parte da vida desse filho. E a benção da multiplicação é a primeira delas. Portanto, Deus tem o prazer de multiplicar sobre a vida de todo cristão: o tamanho da fé, a intensidade do amor, a pureza da mente; os dias de vida, a qualidade de vida, os bens e posses materiais, a inteligência, a sabedoria, etc.

Um novo nome
Deus mudou o nome de Abrão para Abraão (Gn 17.5), isso apontava para um novo tempo em sua vida. Dali em diante Abraão seria reconhecido como o pai de muitas nações. E é isto que Deus deseja realizar em sua vida, mudar o seu nome, dar um novo sentido a ele, e trazer um novo tempo para você. Para que quando as pessoas se refiram à você, possam perceber a glória de Deus em sua vida, e a transformação para melhor que Ele operou.

Uma aliança de benção com sua família
A família de Abraão estava inserida nas bênçãos prometidas pelo Senhor Deus. Deus é o protetor das famílias. Ele às instituiu com amor, e, portanto, é de seu grande interesse abençoá-las. A circuncisão de coração produz bênçãos para nossas famílias. Pois, quando passamos a crer de coração em Deus, com sinceridade, aí se cumpre o que disse Paulo: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo tu e a tua casa.” (Atos 16.31) A salvação se estende de geração em geração, cumprindo a promessa do Senhor.

Canaã: “Uma excelente possessão”
Uma das maiores bençãos provenientes da ruptura do nosso coração com o mundo, é a conquista de Canaã. Esta representa os prazeres e as conquistas concedidas por Deus a nós. Conquistar Canaã significa conquistar os espaços de Deus para as nossas vidas. Significa tomar posse daquilo que ele designou como território exclusivo de cada um de nós. Significa se apossar corajosamente dos deleites que essa boa terra produz. Conquistar Canaã significa lançar fora (desta terra), todos os “eus” representados pelos sentimentos e pensamentos mesquinhos lançados contra nós em forma de setas malignas, e que sugam nossas alegrias e prazeres concedidos pelo Pai. Ocupar este território é privilégio somente daqueles cujos corações foram circuncidados para Deus.

Abimael F. Ferreira

Abimael F. Ferreira